terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Salvador

Era uma tarde de outono do dia 25 de setembro de 1973 na cidade de Barcelona na Espanha, quando o MIL - Movimiento Ibérico de Liberación - que lutava desde o começo da década de 1970 na Catalunha contra o franquismo sofreu sua grande baixa.

Para entender essa história é preciso dizer que o MIL foi um pequeno grupo de jovens de classe média formado por homens e mulheres de Barcelona, que tinham o apoio de alguns jovens franceses, de Toulouse. O grupo formado em 1971 organizava ataques a bancos e com o dinheiro roubado faziam publicações clandestinas como revistas, livros e panfletos. Diferente de outras organizações, o MIL não fazia atentados a bomba e nem contra civis.

Os integrantes lutavam contra o regime político do general Francisco Franco, que começou em 1939 e durou até 1976. O franquismo tinha os seus ideais formados pelo fascismo e surgiu após a Guerra Civil Espanhola, com o apoio de Hitler e Mussolini.

Após a prisão de importantes membros do movimento, como Oriol Solé Sugranyes, Josep Lluís Pons Llobet e Santi Soler, a polícia armou uma operação para prender os anarquistas Xavier Garriga e Salvador Puig Antich.

Na esquina de Girona com Consell de Cent policiais levaram Santi Soler ao bar Funicular, local de encontro dos membros do MIL, como isca para executar a ação. Porém, a operação não saiu como o esperado e salvador tentou fugir. Após disparos e brigas, Salvador e o jovem policial de 23 anos, Francisco Anguas Barragán foram levados ao hospital, baleados. Francisco, da Brigada Politico Social não resistiu aos ferimentos e morreu, enquanto Salvador sobreviveu mesmo depois de levar tiros na mandíbula e no ombro esquerdo.

Puig Antich foi preso acusado de ter feito os disparos contra Barragán e levado para a prisão Model. Sem direito a testemunhos de defesa um tribunal militar julgou o caso e considerou o militante culpado pela morte do agente e o condenou a morte. Manifestações por Barcelona pedindo o indulto não foram o suficiente para livrar Salvador, que não teve a mesma sorte do pai, condenado a morte, mas no último instante salvo pelo indulto.

No dia 2 de março de 1974 o anarquista catalão foi executado no garrote vil. O instrumento era uma espécie de torniquete colocado no pescoço, conforme era girado sufocava o condenado ou quebrava seus ossos. Dessa forma, a agonia do torturado era prolongada.

Baseado no livro de Francesc Escribano Cuenta Atras: La Historia de Salvador Puig Antich, de 2001. Em 2006 surgiu um filme sobre esse episódio. No elenco o bom ator Daniel Brühl no papelde Antich e direção de Manuel Huerga.



No entanto o filme não agradou a todos, que consideram que houve exagero em alguns aspectos que mancham a história de Salvador. Alguns sites como o http://www.mil-gac.info/ e o http://www.salvadorpuigantich.info ambos em catalão, fazem criticas pesadas ao filme como o fato de não mostrar o verdadeiro conteúdo político de Salvador, que teria sido influenciado por más companhias, confira um trecho:

"... encarna en la pel·lícula el paper de Salvador Puig-Antich, en un paper totalment descafeïnat i alterat, on es buida de contingut polític la vida i la mort de Salvador Puig Antich, transformant-lo en un bon noi que per culpa de les males companyies esdevenia un atracador de bancs. Tots ells s'han ajuntat, mitjançant molts diners de per mig, per a realitzar aquest film rosa que de ben segur despertarà més d'una llàgrima, però mai no explicarà la veritat".


Abaixo um clipe com a música dedicada ao anarquista.

2 comentários:

  1. Belo Post Sincero!!!

    Ótica dica de cinema!!!
    Abraço!

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  2. Valeu Renato,pretendo atualizar quase que diariamente agora....
    Abs

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