quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Uma noite em 67

GILBERTO GIL Enquanto só se fala de Tropa de Elite 2 e filas se formam em todos os cinemas, fui assistir ao documentário Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. O filme conta a história dos bastidores do III Festival da Música Popular Brasileira, exibido pela TV Record, com imagens reais da época e depoimentos atuais.

A noite do dia 21 de outubro de 1967 no Teatro Paramount, no centro de São Paulo reuniu jovens talentos da música brasileira que competiam pelo título de melhor canção do festival. Entretanto, a competição tinha uma singularidade, a plateia influenciava a disputa. Uma parte vaiava e outra aplaudia veementemente os artistas, tornando-se parte indispensável do festival.

Foi por causa dela, aliás, que um fato inusitado marcou a história do festival, quando o compositor Sérgio Ricardo subiu ao palco para cantar e foi recebido sob vaias. Ele tentou pedir silêncio, mas foi em vão. Irritado, desistiu de cantar, quebrou o violão e atirou os destroços na plateia. Entre os participantes estavam Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e os Mutantes, MPB 4, Roberto Carlos e Edu Lobo.

CAETANO VELOSOA obra é recheada de momentos empolgantes, como na apresentação de Caetano Veloso e sua música Alegria, alegria que encantou o público que até então o vaiava. A vibração é tamanha que nos faz querer levantar e aplaudi-lo, como se estivéssemos no Teatro. Outros tantos períodos nos fazem rir, principalmente nas declarações de Chico Buarque e dos jurados. Um dos pontos fortes é a luta contra a guitarra elétrica, a passeata com Elis Regina, Gilberto Gil, Jairzinho e Cia pelas ruas para impedir o uso do instrumento.

Enfim, para os mais novos é interessante ver quantas coisas diferentes faziam os apresentadores da época, nem sempre louváveis. Os dois apresentadores e até os competidores andavam pelo palco com seus cigarros em mãos e tinham um linguajar solto, por vezes excêntrico. Hoje essa atitude é impensável na televisão brasileira.

Ainda que o final seja conhecido do grande público e acessível com a internet e meios de busca, o roteiro nos traz certa expectativa pelo resultado e pela reação dos artistas. A amizade dos concorrentes e a paixão pelo trabalho se mostram acima de qualquer individualidade.

Ficha técnica

Direção: Renato Terra e Ricardo Calil

Coprodução: VideoFilmes e Record Entretenimento

Produção executiva: João Moreira Salles e Maurício Andrade Ramos

Consultoria: Zuza Homem de Mello

Direção de Fotografia: Jacques Cheuiche

Som: Valéria Ferro

Montagem: Jordana Berg

Mixagem: Denilson Campos

Produção: Beth Accioly

Coordenação de produção: Carolina Benevides

Coordenação de finalização: Bianca Costa

Pesquisa: Antônio Venâncio

2 comentários:

  1. Parabéns pelo post. óTima dica de filme para essa nova geração que não tem ideia do que foi viver em uma Ditadura e ter a liberdade vigiada. Fora que como você mesmo disse, quebrar um violão e jogar na plateia é algo impensável nos dias de hoje para ser mostrado na televisão. Tropa de Elite, sem dúvida é um retrato da realidade do Rio de Janeiro, mas uma realidade que foi pensada e editada, já o filme "Um noite em 67" traz somente os fatos que ocorreram, sem toques hollywoodianos!

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  2. Cara

    Essa é uma ótima dica, pois viver de Tropa de Elite, Nosso lar, Chico Xavier... Não dá! Rss

    Abs

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