quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Resenha – É Proibido Fumar

Resenha feita para o Curso de Jornalismo Cultural.

É Proibido fumar

É proibido fumar é uma versão menos dramática de Durval Discos, outro filme da diretora Anna Muylaert. Mais uma vez a música está explícita na obra e na vida dos personagens, Max (Paulo Miklos) e Baby (Glória Pires). São Paulo é o cenário da trama que se desenrola no apartamento de Baby, ponto central do longa, assim como a casa/loja de Durval. O gênero é comédia, mas irônica, sutil, acompanhada do drama. Na trama Baby é uma mulher solteira com quase 40 anos, que mora no apartamento herdado da mãe e ensina a alunos desinteressados como tocar violão, enquanto fuma seus cigarros constantemente. Ao conhecer Max sua vida se modifica completamente.

01 O longa foi lançado em 2009, justamente quando o governo do estado de São Paulo proibiu o fumo em ambientes fechados como bares, restaurantes e universidades. A discussão sobre o cigarro é abordada aparentemente de forma secundária, mas a objeção de Max ao fumo faz com que Baby tente mudar seus hábitos. No transcorrer do filme ela descobre o motivo de ele não quer o cigarro em seu apartamento.

A camiseta e o retrato de Chico Buarque remetem ao passado, que para ela parece não ter sido tão distante. Estagnada no tempo e fadada a ser a eterna titia, vive brigando com as irmãs por coisas sem valor como um sofá velho. Seu apartamento lembra a casa de uma idosa, cheia de plantas que, no entanto, contrastam com a fumaça despejada por seus lábios de fumante obsessiva.

Baby vê sua vida mudar quando o apartamento vizinho é alugado por um músico. Num primeiro momento ele parece interessado nela e ao mesmo tempo um malandro, afim apenas de casos esporádicos com várias mulheres. Baby se interessa por Max e começa a se cuidar, para tentar conquistá-lo vai ao cabeleireiro e à depilação. Até mesmo as roupas dela mudam com o desenrolar do relacionamento, seu estilo muda radicalmente, de dona de casa - com blusas de moletom - para uma mulher mais jovem, com camisetas curtas e shortinhos jeans. Vemos aí uma crítica de Anna ao constante ato das pessoas mudarem quem são para agradar o parceiro, com medo talvez, da solidão.

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Ao som de Jorge Ben os dois começam a namorar, contudo Max ainda está apaixonado por sua ex-mulher Stelinha, fumante. O tom cômico e puro do filme ganha ares dramáticos a partir daí, com fatos inesperados. Assim como em Durval Discos, um fato repentino muda a história do filme. Novamente Anna revela seu gosto pelo drama e pelo imprevisto.

Os pensamentos dos personagens mudam com o desenrolar dos fatos e Baby - por mais que seja aparentemente honesta - mostra-se vulnerável, faz uma abertura na parede do apartamento para ver o quarto de Max, suspeita de suas traições. Ela ouve gritos e gemidos vindos do apartamento dele, não quer acreditar, mas desconfia do músico. Personagem discreto e essencial, o porteiro Chico até então uma pessoa honesta, vê a grande oportunidade de mudar de vida e voltar para sua terra natal ao presenciar a morte de Stelinha.

Max que num primeiro momento parecia ser do tipo golpista, mentiroso e trapaceiro mostra-se na verdade um homem que ainda amava a ex-mulher e não conseguia se desvencilhar desse amor. Após a morte de Stelinha ele se entrega ao amor de Baby, a ponto de aceitar chantagem para salvá-la.

O filme esteve entre os 24 finalistas que concorriam para decidir qual filme nacional seria indicado ao Oscar 2011, mas perdeu para o filme que conta a história de Lula. Em 2009 no Festival de Brasília ganhou em oito categorias, entre elas o de melhor filme, ator e atriz. Neste ano o longa deixou para trás Se eu fosse você 2, e ganhou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2010 como melhor filme e outras quatro categorias.

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