domingo, 29 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim

Na semana que a Academia anunciou os indicados ao Oscar 2012, assisti ao filme As Aventuras de Tintim, baseado nas tirinhas de Hergé. Confesso que não me lembro muito bem do desenho ou quadrinhos, mas a animação dirigida por Steven Spielberg merecia concorrer ao prêmio do ano.

As trapalhadas dos investigadores Dupont, o hilário e bêbado capitão Haddock e o esperto cão Milu dão ritmo ao longa. Gostei da sequencia na saída do forte e também da batalha travada entre o capitão Haddock e Rackham com os guindastes como se relembrasse uma batalha entre navios.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Caché

Assisti novamente ‘Caché’, do diretor austríaco Michael Haneke, um dos melhores quando o tema é o suspense e o horror que atinge a classe média. Assim como em ‘A Fita Branca’, Haneke deixa que o público faça suas considerações sobre a obra, não te dá resposta, ou respostas.

O filme nos mostra como podemos ser perversos quando criança e como nossas ‘brincadeiras’ ou mentiras inocentes podem mudar toda uma vida.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A Separação

É possível que haja uma separação sem que os envolvidos percam algo? Mas afinal, quem são os envolvidos? Podemos dizer que são todos, absolutamente todos que estão ligados de alguma maneira ao casal. Não apenas filhos. Mas também parentes e até vizinhos. ‘A Separação’ (do diretor Asghar Farhadi) trata exatamente disso e de muito mais, como a ética, a religião, a mentira e a verdade.

Simin (Leila Hatami) decide mudar do Irã por acreditar que sua filha teria um futuro melhor no estrangeiro, mas seu marido Nader (interpretado pelo bom Peyman Moadi) não quer se mudar, pois seu pai está com Alzheimer. Simin pede o divórcio, mas não aceita viajar sem a filha, menor de idade. Cabe então à filha a decisão, mudar-se ou não.

Existe uma idade ideal para a pessoa ter este poder de decisão? Quando estamos prontos para ter esse domínio de resolver com quem iremos morar?

Esta indefinição gera outras discussões, como o fato do filho querer ficar para cuidar do pai doente. Mas o pai já nem o reconhece por causa do estágio avançado da doença. Eis aqui um dos diálogos mais marcantes. Ele já nem sabe que Nader é seu filho. Questionado sobre isso, Nader apenas responde: Mas eu sei que ele é meu pai.

O filme parece seguir para outro caminho, tira o foco da separação e drasticamente caminha para outro tema, a mentira. Quem assiste ao seriado House conhece a celebre frase do médico ‘Everybody lies’. Quando posto em uma situação extrema, todos mentem. Para se salvar, para não ser castigado, para não salvar um parente querido. Todos mentem. Mas e quando a verdade (ou mentira?) se confronta com a – inabalável? – fé nem sempre podemos prever nossas reações.

‘A Separação’ agrada não só pelos inúmeros pontos de debate, mas também por essa outra cultura cheia de ‘regras’ por vezes incompreensíveis para o ocidente, mas que em nenhum momento é tema de discussão ou critica, simplesmente é assim, até porque dificilmente o filme seria aprovado pela censura do país*. Esta é a cultura que Simin não parece querer para sua filha, e a separação do marido pode ser encarada como a separação também de seu próprio país.

* Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as filmagens chegaram a ser interrompidas por conta do posicionamento político do cineasta, que manifestou-se contra a prisão de Panahi (cineasta iraniano), condenado por fazer propaganda contra o regime.